22 março, 2018

É católico batizar a mesma pessoa duas vezes?


- Batismo de Cristo ilustrando vitral de Igreja. Foto: Pixabay/Domínio Público -

Uma leitora nos enviou duas perguntas sobre o batismo e achamos interessante dar a resposta produzindo um texto, pois, como na escola, talvez a dúvida dela seja a de muitas outras pessoas. Então, vamos entender o contexto vendo o caso e as questões propostas por ela.

Nossa leitora afirmou que é madrinha de um menino. Segundo ela, o batizaram na Igreja e, pouco tempo depois, a mãe dele o levou para ser batizado de novo em outra Igreja e com padrinhos diferentes. Eis as perguntas propostas por ela: "É possível batizar a mesma criança duas vezes? Eu deixo de ser madrinha?".




A Igreja recorda que a prática de batizar as crianças é uma tradição de longos anos, explicitamente atestada desde o século II, mas com possibilidade de que assim se tenha sido feito desde o princípio da pregação apostólica, quando famílias inteiras receberam o batismo (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1252). Pressupõe-se que aí tenham sido batizadas também as crianças daquelas famílias.

É possível ser batizado duas vezes?


Uma vez que se tenha recebido o Batismo, não se batiza novamente. Como disse São Paulo na carta aos Efésios: "Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo". (cf. Ef. 4,5).

A Igreja também deixa claro que "tem capacidade para receber o batismo todo e só o homem [ser humano - nota do Sim, sou Católico] ainda não batizado" (cf. Código de Direito Canônico, Cân. 864).

E, para colocar mais um item, todo católico quando professa a sua fé rezando o Credo diz: "Confiteor unum Baptisma in remissionem peccatorum" (Professo um só Batismo para a remissão dos pecados). Ora, se você - catecúmeno, pais e/ou padrinhos - professa um só Batismo para a remissão dos pecados, por qual motivo vai se batizar novamente ou levar seu filho/afilhado para receber outro batismo? Não faz sentido algum.

Veja também:


Vamos acrescentar outra questão às que foram propostas pela nossa leitora. Se houver dúvida se o bastimo foi validamente conferido, como agir? Façamos como o Chapolin Colorado (só para descontrair): palma, palma: não priemos cânico!


Caso haja dúvida, a Igreja orienta o seguinte em seu Código de Direito Canônico (Cân. 869):

§ 1.  Se houver dúvida se alguém foi batizado ou se o batismo foi validamente conferido, e a dúvida permanecer depois de séria investigação, confira-se-lhe o batismo sob condição.

Deixo de ser padrinho/madrinha?


Nossa leitora mencionou que, pouco tempo depois, os pais do afilhado dela o levaram para ser batizado novamente (eles carecem de formação) e escolheram novos padrinhos. Ela deixa de ser madrinha?

O Código de Direito Canônico (Cân. 874) afirma que para que alguém seja admitido como padrinho, é necessário que:

1° – seja designado pelo batizando, por seus pais ou por quem lhes faz às vezes, ou, na falta deles, pelo próprio pároco ou ministro, e tenha aptidão e intenção de cumprir esse encargo;
2° – Tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou pareça ao pároco ou ministro que se deva admitir uma exceção por justa causa;
3° – seja católico, confirmado, já tenha recebido o santíssimo sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé e o encargo que vai assumir;
4° – não tenha sido atingido por nenhuma pena canônica;
5° – não seja pai ou mãe do batizando.

Se não é possível ser batizado duas vezes e você tem todos os requisitos solicitados pela Igreja, a resposta é: não! Não se deixa de ser padrinho/madrinha.


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2 comentários:

  1. Então um bebê k é batizado quando pequeno foi lavado do pecado original, mais ja que o batismo é um só.e quando ele crescer e ser adulto ele já tem outros pecados, porque é diferente quando se é bebê por que é puro e inocente mas depois quando se torna adulto é outra questão

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    1. Quando ele crescer, não precisará ser batizado novamente toda caso cometa pecado (observação pontual: o pecado deve sempre ser evitado). Caso o cometa, deverá se aproximar de outro sacramento.

      Conforme diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), "o santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que dá acesso aos outros sacramentos" (n. 1113). O bastismo nos liberta do pecado e nos regenera como filhos de Deus (cf. n. 1213).

      Este é um dos sacramentos mais belos e magníficos, conforme vai explicar o Catecismo no seu número 1216.

      "Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus (44), a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento" (CIC n. 1250).

      Já tendo a criança o selo do Batismo impresso em sua alma, o que fará se um dia pecar? Antes de entrar nesse ponto, sugirimos a leitura dessa publicação que fizemos aqui no blog: http://www.simsoucatolico.com.br/2013/05/o-que-e-necessario-para-que-um-pecado.html#.Wy1GQFVKhdg

      Tendo pecado, a pessoa deverá se aproximar de um outro sacramento: o da Reconciliação. Isso deve ser feito porque "vivemos ainda na 'nossa morada terrena', sujeita ao sofrimento à doença e à morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida e até perdida pelo pecado", (CIC n. 1420).

      "Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão" (CIC n. 1422).
      Conforme diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), "o santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que dá acesso aos outros sacramentos" (n. 1113). O bastismo nos liberta do pecado e nos regenera como filhos de Deus (cf. n. 1213).

      Este é um dos sacramentos mais belos e magníficos, conforme vai explicar o Catecismo no seu número 1216.

      "Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus (44), a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento" (CIC n. 1250).

      Já tendo a criança o selo do Batismo impresso em sua alma, o que fará se um dia pecar? Antes de entrar nesse ponto, sugirimos a leitura dessa publicação que fizemos aqui no blog:

      Tendo pecado, a pessoa deverá se aproximar de um outro sacramento: o da Reconciliação. Isso deve ser feito porque "vivemos ainda na 'nossa morada terrena', sujeita ao sofrimento à doença e à morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida e até perdida pelo pecado", (CIC n. 1420).

      "Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão" (CIC n. 1422).

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