10 março, 2016

"As sementes plantadas por Frei Moser nos farão citá-lo sempre como referência", declara Michaell Grillo


Foto: Frei Moser
Sacerdote Franciscano, Frei Antônio Moser foi assassinado em 9 de março de 2016
Conforme noticiado, o Frei Antônio Moser, sacerdote franciscano da Ordem dos Frades Menores, morreu vítima de um tiro disparado contra ele em uma tentativa de assalto na Rodovia Washington Luiz, em Duque de Caixas, Rio de Janeiro. Na matéria que publicamos para dar essa notícia, fizemos alguns relatos sobre a via do religioso com base em testemunhos e trechos obtidos através das diversas notas que comunicavam o falecimento. Nesta postagem, trazemos um artigo redigido por Michaell Grillo, editor geral de "O Coração da Igreja" e membro da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, onde está anexado o Convento dos Frades Menores, em Petrópolis.



Michaell traz o testemunho de alguém que conheceu Frei Moser não apenas pelos meios de comunicação, mas pessoalmente. Confira o artigo.

A semente foi plantada, colhamos os frutos


Parte para a eternidade o Frei Antônio Moser, mas os legados permanecem. O cuidado e o carinho com as crianças do Centro Educacional Terra Santa (CETS) nos comove, uma vez que cada vez mais vivemos em uma sociedade exclusiva e seletiva. Deus irá iluminar as cabeças pensantes deste projeto que ajuda crianças carentes da cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, para que ele não deixe de existir da forma que é. Não basta a permanência, é preciso amar o CETS como Frei Moser amou até o fim.

Quanto à Editora Vozes, da qual Frei Antônio Moser era diretor-presidente há quase duas décadas, a problemática da continuidade é bem menor, uma vez que o frade de 75 anos fez com que o referido polo industrial-cultural caminhasse sozinho, mediante tamanha injeção de modernidade e infraestrutura ao longo do período que esteve à frente da empresa.

Quantas benfeitorias na Paróquia Santa Clara, no bairro Valparaíso! Uma pequena, porém acolhedora comunidade de fé. Como um doutor especialista em Teologia Moral, formação acadêmica nos principais centros da Europa – sobretudo Itália e França –, membro da Academia Petropolitana de Letras, aceitaria ele não ficar em destaque? Alguns pensavam que Frei Moser se importaria em trabalhar numa paróquia simples.

Irmãos, Frei Moser era simples como Cristo era simples. Gostava de se vestir bem, sempre afeitado e com a pele lisa como a de uma criança, embora as rugas teimassem em aparecer, mas era só isso. Por dentro um coração simples, humano, solidário e caritativo. Um homem preocupado com o irmão de fraternidade e com o irmão da rua, da favela, da exclusão social. Quanta luta com os órgãos públicos para que o sonho da igualdade se alastrasse...
O que não terá reparo são a dor e a saudade que ficarão no coração dos Frades Menores da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Quantos sacerdotes, bispos e irmãos Frei Moser formou em suas aulas de Teologia Moral na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e no Instituto Teológico Franciscano (ITF)... Mas, engana-se aquele que pensa que com seu regresso para a casa do pai, os ensinamentos de Frei Moser se esvaem. Centenas de artigos e dezenas de livros publicados pelo mestre encontram-se a disposição da população, seja na internet, nas livrarias ou em bibliotecas. A memória e seus ensinamentos estão preservados.

Recordo com alegria da última palestra proferida em dezembro passado (16), na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, onde o corpo do irmão fora velado. Frei Moser havia sido convidado para apresentar os bastidores do Sínodo dos Bispos, do qual foi o único padre brasileiro, com especialidade em Teologia Moral, a participar, como ele gostava de ressaltar. A alegria estava estampada na face, justamente no dia posterior às comemorações pelo seu jubileu de ouro sacerdotal.

Parte o homem de Deus. O religioso segue a contemplar, definitivamente, a face de Cristo.

Alguém duvida que Frei Antônio Moser, o menino de Gaspar (SC), seguirá vivo no coração da Igreja? Quando um homem de bem parte para a eternidade, ele não morre em nossos corações, pois as sementes plantadas nos que fazem citá-lo sempre como referência.

Vai em paz, Frei Moser! Orgulho de ter convivido um pouco com o senhor. Orgulho de ter aprendido a ser mais cristão contigo. Não um cristão legalista, mas um cristão humano com um quê de divino, mais preocupado em amar. Combateste o bom combate! Receba a coroa de tua glória junto a Cristo, nosso irmão. Até o dia dos dias!

O artigo é de Michaell Grillo, editor geral de "O Coração da Igreja"

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