14 setembro, 2013

Ressurreição da carne e vida eterna?


Ressurreição da carne e vida eterna
Em uma conversa entre amigos, surgiu a pergunta: "como é que funciona essa situação de ressurreição da carne e vida eterna que professamos no credo?". Verdade seja dita, é uma pergunta bem pertinente, visto que muitas pessoas não saberiam responder de primeira (alguns, talvez, nem de segunda), mas todos dizem isto na profissão de fé... "Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica [...], na ressurreição da carne, na vida eterna".




Então, neste texto vamos falar um pouquinho as definições do Catecismo da Igreja Católica por meio de uma adaptação que fizemos do capítulo 14 do livro "A fé explicada", de Leo J. Trese. Aliás, é um livro muito bom e, quem tiver interesse, recomendamos a aquisição de um volume. Esperamos que quando chegar ao fim do texto (leia, pois vale a pena saber sobre o assunto) sua compreensão sobre o a ressurreição da carne e a vida eterna seja melhor.

O que é a morte?


A morte é a separação da alma e do corpo. No exato momento em que a alma abandona o corpo, é julgada por Deus. O juízo individual da alma imediatamente após sua morte chama-se Juízo Particular. É um momento terrível para todos, o momento para o qual fomos vivendo todos estes anos na terra, o momento para o qual toda a vida esteve orientada. É o dia da retribuição para todos.

Quanto à forma em que se realiza este Juízo Particular, só podemos fazer conjecturas: a única coisa que Deus nos revelou é que ele existirá. Os teólogos cogitam que provavelmente o que acontece é que a alma se vê como Deus a vê, em estado de graça ou em pecado, e, consequentemente, sabe qual será o seu destino segundo a infinita justiça divina. Este destino é irrevogável. O tempo de prova e de preparação – ou seja, vida terrena – terminou. A misericórdia divina fez tudo quanto podia; agora prevalece a justiça de Deus.


Em seu número 1013, o Catecismo da Igreja Católica vai dizer que "a morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo da graça e da misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último. Quando acabar ‘a nossa vida sobre a terra, que é só uma’ (LG 48), não voltaremos a outras vidas terrestres. Os homens e mulheres morrem uma só vez (Hb 9, 27). Não existe ‘reencarnação’ depois da morte” (cf. também os números 1006-12 e 1014).

Alma que vai para o inferno


Vejamos a sorte da alma que escolheu a si mesma em vez de escolher a Deus e morreu sem se reconciliar com Ele, ou seja, alma que morre em pecado mortal. Tendo se afastado de Deus por livre escolha durante a vida e tendo morrido sem vínculo de união com Ele, fica sem possibilidade de restabelecer a comunicação com o Criador, ou seja, está no inferno. Para esta alma, morte, juízo e condenação são simultâneos. Perdeu-O para sempre. Está no inferno.




Alma que vai para o Céu


Suponhamos que morremos assim: confortados pelos últimos sacramentos e com uma indulgência plenária bem ganha no momento da morte. Suponhamos que morremos sem a menor mancha nem vestígio do pecado na nossa alma. Se for assim, a morte será o momento da nossa mais brilhante vitória: mesmo que o corpo resista a deixar que se desate o vínculo que o une ao espírito que lhe deu a vida e a dignidade, o juízo da alma será a imediata visão de Deus.


Essa alma terá a visão beatífica. Não é apenas uma “visão” no sentido de “ver” a Deus; designa também a nossa união com Ele. É a felicidade para sempre: assim é a essência da glória eterna.

O Catecismo da Igreja Católica diz que “o Céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados” em Cristo (nº 1026-7).

Alma que vai para o purgatório


O que acontecerá se, ao morrermos, o Juízo Particular não nos encontrar separados de Deus pelo pecado mortal, mas também não com a perfeita pureza de alma que a união com o Santo dos Santos requer? Aqui falamos do purgatório. Esse é um processo de purificação final para lavar até a menor imperfeição que se interponha entre a alma e Deus.

No purgatório, como no inferno, há uma pena de sentido, mas, assim como o sofrimento essencial do inferno é a perpétua separação de Deus, o sofrimento essencial do purgatório será a penosíssima agonia que a alma tem que sofrer ao ver adiada, mesmo que por um instante, a sua união com Deus.

É consolador recordar que a aflição das almas do purgatório é um sofrimento gozoso, ainda que seja tão intenso que não possamos imaginá-lo deste lado do Juízo. A grande diferença que existe entre o sofrimento do inferno e o do purgatório é que no inferno há a certeza da separação eterna e no purgatório a certeza da libertação. A alma do purgatório não quer aparecer diante de Deus no seu estado de imperfeição, mas tem a felicidade de saber, no meio da sua agonia, que no fim se reunirá a Ele.





Ninguém sabe quanto “tempo” dura o purgatório para uma alma. Porém, nós, que ainda estamos vivos, podemos ajuda-las pela misericórdia divina. A frequência e a intensidade da nossa oração, seja por uma determinada alma ou por todos os fiéis defuntos, dará à elas a medida do nosso amor.

Ressurreição da carne


Uma das coisas que sabemos com certeza sobre o fim do mundo é que, quando a história dos homens acabar, os corpos de todos os que vivem se levantarão dos mortos para se unirem novamente às suas almas: é a Ressurreição da carne. Já que foi o homem inteiro, corpo e alma, quem amou a Deus e o serviu, mesmo à custa da dor e do sacrifício, é justo que seja o homem inteiro, alma e corpo, quem goze da união eterna com Deus, que é a recompensa do amor. E já que é o homem inteiro quem rejeita a Deus ao morrer em pecado, impenitente, é justo que o corpo partilhe com a alma a separação eterna de Deus, que o homem como um todo escolheu.

O nosso corpo ressuscitado será constituído de tal maneira que ficará livre das limitações físicas que o caracterizam neste mundo. Já não precisará de alimento ou bebida, e, de certo modo, será espiritualizado. Além disso, o corpo dos bem-aventurados será glorificado; possuirá uma beleza e perfeição que será participação da graça e perfeição da alma unida a Deus.

O mundo acaba, os mortos ressuscitam, e depois vem o Juízo Universal. Esse Juízo verá Jesus no trono da justiça divina, que substitui a cruz, trono da sua infinita misericórdia. O Juízo Final não oferecerá surpresas em relação ao nosso eterno destino. Já teremos passado pelo Juízo Particular; a nossa alma já estará no céu ou no inferno.

O Catecismo da Igreja Católica, em número 1040, diz que “o Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como seu amor é mais forte do que a morte” (Catecismo da Igreja Católica nº 1040).

A sentença que recebemos no Juízo Particular será confirmada publicamente. Todos os nossos pecados – e todas as nossas virtudes – serão expostos diante de todos.

Quando terminar o tempo e só permanecer a eternidade, a obra do Espírito Santo encontrará a sua consumação na comunhão dos santos, agora um conjunto reunido na glória sem fim.


(Adaptação do capítulo 14º do livro "A fé explicada", de Leo J. Trese)

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