04 setembro, 2017

[EXCLUSIVO] Neto do autor da coroa original de Nossa Senhora de Fátima fala sobre seu avô



Ao olhar para a imagem original de Nossa Senhora de Fátima, no Santuário a ela dedicado, em Portugal, é possível perceber que ela sustenta uma bela coroa, com várias joias e com a bala que atingiu São João Paulo II durante um atentado, em 1981, incrustado nela.

Recentemente, o blog Sim, sou Católico conseguiu entrar em contato com Miguel Ponce Dentinho, que é neto de Virgílio Barbosa Leão - autor do desenho da coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima.



Durante o contato, Miguel enviou um relato que aconteceu com ele em uma visita ao Brasil. Na ocasião, ele conta que ao participar de uma Missa no Rio de Janeiro teve a oportunidade de contar um pouco da história da coroa que seu avô desenhou para Nossa Senhora de Fátima.

Confira abaixo a íntegra do relato enviado por Miguel Ponce Dentinho com exclusividade ao blog Sim, sou Católico.

Relato do neto do ourives que desenhou a coroa de Nossa Senhora de Fátima


Chegado ao Rio de Janeiro, vindo de Portugal, em um domingo, dia 6 de maio, preparava-me para ir à praia. Nisto, passo pela porta de uma Igreja e ouço tambores e jovens a sambar. Até o padre sambava. Como europeu achei estranho e perguntei a uma senhora que assistia ao "espetáculo" se se tratava de um local de culto da IURD (nota do blog: sigla utilizada por Miguel para Igreja Universal do Reino de Deus). Respondeu-me então com um ar ofendido que não, que era uma Igreja católica. Lá entrei e o padre falou tanto para mim durante a homilia que as lágrimas começaram a correr com tanta naturalidade que pouco me importou a frase feita, de que um homem não chora. Claro que chora.

Saí de lá tão cheio de Deus que voltei no domingo seguinte, dia 13 de maio. Missa às 10h30 na Igreja da Ressurreição, no Arpoador. Tinha batismo, crianças a gritar e a correr e o Dia das Mães. Fui empurrado, pisado, e cresceu em mim uma raiva tal que só me apetecia bater nas crianças irrequietas. Resolvi, ao fim de meia hora abandonar a Igreja. O espírito e desânimo eram visíveis ao descer as escadas. Nisto, uma senhora que também abandonava o local perguntou se estava incomodado, ao que respondi que estava incomodadíssimo. Perguntou o que ia fazer e respondi com voz irritada que iria para casa, nem à praia me apetecia ir. Ao ouvir isto, perguntou se não queria ir com ela à Igreja de Nossa Senhora da Paz.

Fui a seu lado os dois quarteirões que separam as duas Igrejas, sem falarmos um com o outro. Quando entramos, a senhora virou à direita e eu ali fiquei no corredor central, procurando com os olhos um lugar para me sentar. Nisto um bispo que celebrava a Missa fez sinal de que tinha lugar na primeira fila. Ainda olhei para trás, pois pensei que o sinal era dirigido para outra pessoa. Como não havia ninguém atrás de mim, avancei, de camiseta, bermuda, chinelo Havaianas e mochila. Preferia um lugar mais discreto, mas chamavam-me para a primeira fila.



Começou a Missa celebrada pelo bispo, que na homilia referiu que mais importante que ser Dia das Mães, era dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima. O bispo também recordou que a bala que tinha atingido o Papa João Paulo II, no dia 13 de maio de 1980, se encontrava colocada na coroa da imagem, graças às mãos hábeis do ourives que a tinha desenhado. Ao ouvir isso, sorri e o celebrante olhou para mim e perguntou se conhecia a história. Assenti com a cabeça e convidou-me a contar a história, passando-me o microfone.

Comecei por dizer que era neto do ourives que em 1946 tinha desenhado a coroa de Nossa Senhora de Fátima, que tinha sido oferecida pelas mulheres portuguesas em agradecimento a Nossa Senhora por ter intercedido junto de Deus para que Portugal não entrasse na Segunda Guerra Mundial.

Contei que o Papa tinha sido alvejado a 13 de maio de 1980 e que quando fez um ano do sucedido, quis estar em Fátima e agradecer a Nossa Senhora por tê-lo salvo e oferecer o terço com que sempre rezava.

Durante o almoço, retirou do bolso uma bala e disse ao reitor do Santuário que gostaria que a mesma fosse colocada na coroa. O reitor pediu para lhe trazerem a coroa, pois tinha a esperança que o Papa ao vê-la de perto desistisse. Ficou atrapalhado porque, por um lado, era um pedido do Papa, mas por outro ficava tão feio...

Nisto, quando virou a coroa, descobriu que o meu avô tinha deixado um orifício na bola com turquesas incrustadas que representa o mundo. Exatamente os 9mm da bala que o Papa João Paulo II fazia questão de aí colocar.

Dito isto, sentei-me a pensar que tinha sido preciso atravessar o Atlântico, ser pisado e empurrado, mudar de Igreja, para ouvir falar desse meu avô de que tanto gostava e com quem tanto aprendi.


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