19 junho, 2015

Extremistas incendeiam complexo do Santuário da Multiplicação dos pães


Religiosa beneditina no átrio do santuário - AFP
(RV) Na noite desta quinta-feira (18/06), um grupo não identificado de extremistas provocou um incêndio intencional contra o complexo construído no local onde, de acordo com a tradição cristã, Jesus realizou um dos milagres da multiplicação dos pães e peixes, em Tabgha, na Galiléia. Não é o primeiro atentado contra uma igreja cristã em território israelense. A polícia está investigando. A Rádio Vaticano entrevistou Padre Nicodemo, da Ordem dos Beneditinos à qual o Santuário de Tabgha é confiado.

Às três e meia da madrugada, um monge percebeu que um incêndio estava começando diante da igreja e outro diante do monastério. Dois grandes incêndios. Os monges e os voluntários – oito voluntários jovens, com cerca de 20 anos – iniciaram a apagar o fogo até que, aproximadamente 20 minutos depois, os bombeiros chegaram. Duas pessoas estão no hospital, um monge de 80 anos e uma voluntária de 20 anos, intoxicados pela fumaça. Os estragos são grandes: a sala de entrada do monastério ficou destruída, assim como a parte posterior do átrio, diante da igreja. É um dano impensável. E num dos muros do monastério há uma escrita contra os cristãos.


A igreja da Multiplicação também ficou destruída?

Não a igreja, mas o espaço diante da igreja. Para entrar na igreja é preciso passar pelo átrio e esta zona está completamente destruída. A igreja propriamente não sofreu danos, graças a Deus.

O incêndio foi intencional?

Obviamente que foi doloso, é claro. Não é o primeiro atentado deste gênero. No ano passado, no último dia da visita do Papa a Jerusalém, sofremos um ataque incendiário em nossa igreja, na “Dormition Abbey”, portanto, este é o segundo ataque à nossa casa. Em Tabgha é o segundo ato violento. Sofremos ataques e atentados todos os dias, cospem na nossa cara, nos dizem palavras de baixo calão, picham nossos muros...não é a primeira vez. Mas este é um fato novo, um auge de violência contra os cristãos.

Não é o primeiro ataque a uma igreja cristã em Israel. O que está acontecendo?

É difícil de explicar, deveria perguntar à polícia. Não é nossa competência. O nosso dever é estar aqui para rezar, para estar a serviço dos peregrinos. Imagino que hajam grupos fundamentalistas na sociedade israelense que lutam contra a democracia, contra a liberdade religiosa e contra a dignidade humana. Mas enquanto de um lado há esta violência inacreditável, do outro há uma grande solidariedade: por exemplo, após o atentado vieram nos visitar muitos judeus, muçulmanos e tantos cristãos e drusos... Podemos dizer, então, que existe uma sociedade civil que condena estes comportamentos e estas violências contra lugares sagrados.

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1 comentários:

  1. Não são apenas os extremistas muçulmanos que destroem igrejas católicas, os extremistas judeus também o fazem, logo, embora inimigos, são farinha do mesmo saco!!!

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