26 abril, 2019

Abuso litúrgico: banquete na Missa em paróquia de Sete Lagoas (MG)


- Mesa posta durante a Missa da Ceia do Senhor. Foto: Facebook/Paróquia Santa Luzia - Sete Lagoas -

O número de invenções bizarras e abusos litúrgicos na Missa parece aumentar sempre mais durante a Semana Santa, de modo que concluído esse período, as imagens começam a circular pelas redes sociais entristecendo a muitos e causando escândalo.

Em 2018, o drone transportando o Santíssimo Sacramento durante a Vigília Pascal foi o ápice dos abusos e motivou até um artigo do Bispo da Diocese de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, sobre a fidelidade litúrgica. Já em 2019 a 'novidade' da vez ficou por conta da Paróquia Santa Luzia, Diocese de Sete Lagoas (MG), que na Missa da Ceia do Senhor (Quinta-feira da Semana Santa) parecer ter promovido um banquete, no sentido ordinário da palavra.




Pelas imagens, não se sabe ao certo se a refeição aconteceu dentro da Missa, antes ou após ela, mas o que é possível dizer é que pratos, talheres e guardanapos são todos elementos estranhos à Liturgia da Missa e, portanto, não deveriam estar naquele local, em destaque.

Conforme diz a instrução Redemptionis Sacramentum, em seu número 77, "a celebração da Santa Missa, de nenhum modo, pode ser inserida como parte integrante de uma ceia comum, nem se unir com qualquer tipo de banquete".

Interessante observar que, apesar de existir um altar na igreja matriz da Paróquia Santa Luzia, deu-se preferência por celebrar utilizando uma mesa redonda, semelhante às de jantar, o que também desrespeita o que manda a instrução Redemptionis Sacramentum.

A - Foi utilizada uma mesa redonda ao invés do altar. Foto: Facebook/Paróquia Santa Luzia - Sete Lagoas -

"Não se celebre a Missa, a não ser por grave necessidade, sobre uma mesa de refeição" (RS, n.77). E no caso da igreja matriz da Paróquia Santa Luzia, o altar estava em condições, visto que antes foi celebrada a Santa Missa utilizando ele.




A mesma instrução, ainda no número 77, vai dizer que "se, por uma grave necessidade, deva-se celebrar a Missa no mesmo lugar onde depois será a refeição, deve-se mediar um espaço suficiente de tempo entre a conclusão da Missa e o início da refeição, sem que se exibam aos fiéis, durante a celebração da Missa, alimentos ordinários".

No caso da Paróquia de Sete Lagoas a grave necessidade citada no parágrafo anterior parece não existir, que o local conta um salão paroquial.

Na Vigília Pascal também houve abuso na Paróquia Santa Luzia


Contrariando o a Constituição Conciliar Sacrossanctum Concilium que diz que cada um deve "fazer tudo e só o que é de sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas" (SC, n.28), além de não ter sido usado o altar existente na igreja matriz da Paróquia Santa Luzia - novamente optou-se por utilizar a mesa redonda de jantar -, no final da Oração Eucarística três pessoas ergueram o cálice e outras três o Corpo de Cristo.

- Leigos erguem Corpo de Cristo e cálice. Foto: Facebook/Paróquia Santa Luzia - Sete Lagoas -

No entanto, as rubricas do Missal, grafadas em vermelho, em momento algum dizem que é da competência do fiel leigo fazer esse gesto, mas sim o sacerdote. Compete à assembleia, ao final do "por Cristo, com Cristo, em Cristo..." responder com a aclamação "amém". Esse é o momento da assembleia, e não erguer o cálice e a patena com a hóstia.

Em 2018, padre usou bicicleta na procissão de entrada


Não parece ser de hoje que as invenções bizarras ocorrem dentro da Liturgia da Missa na Paróquia Santa Luzia, Diocese de Sete Lagoas (MG).




Em janeiro de 2018, a página da paróquia já havia publicado um outro vídeo com um abuso litúrgico. Nas imagens, vê-se o padre entrando de bicicleta durante a procissão de entrada da Missa e, ao chegar no altar, ele vai correndo vai apressadamente à sacristia para se paramentar.



João Paulo II fez mandou que seguissem as normas litúrgicas


Na encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa João Paulo II manifestou seu desgosto pelos abusos litúrgicos que acontecem frequentemente, particularmente na celebração da Santa Missa.

"Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos".




"Sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo".

O Papa João Paulo II enfatizou ainda que "a liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios".

Recomendado para você
Compartilhe :

14 comentários:

  1. Parabéns ao Padre pela inovação.
    Cada dia tem atraído mais fiéis para a paróquia. Antes de julgar, conheça o verdadeiro sentido da palavra de Deus.

    ResponderExcluir
  2. Há outras formas para atrair pessoas, que depois tornar-se-ão fiéis, sem precisar alterar a Liturgia da Missa - coisa que não é permitida a ver pelos documentos que citamos no texto e podem ser consultadas também em outras fontes.

    Como disse São João Paulo II na encíclica 'Ecclesia de Eucharistia', as normas litúrgicas devem observadas "com grande fidelidade, na celebração eucarística", pois "a liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios".

    ResponderExcluir
  3. E algum CATÓLICO verdadeiro denunciou isso ao Bispo ou à Congregação para a Doutrina da Fé e Disciplina dos Sacramentos?

    ResponderExcluir
  4. Esse padre gosta muito de inventar moda. Temque ver o dia de jogo do Cruzeiro. A bandeira do time vira tolha do altar. Ele é bastante estrelinha isso sim. Maltrata alguns, despreza e humilha outros. Meio bipolar. Muda de humor o tempo todo. As pessoas sentem medo por que nunca sabem como ele está.

    ResponderExcluir
  5. 02/05/2019 09:24:47: Jéssica Moreira: A partilha nesta noite foi abençoada, é isso que podemos dizer sobre o que aconteceu, e toda semana santa também de muitas bênçãos! Publicar uma foto descontextualizada e escrever uma matéria sobre o que não se vivenciou deixa seu profissionalismo a desejar, pois esta poderia ser uma noticia linda de partilha e amor. Até quando vamos ter Judeus, Mestres dos Templos, Romanos crucificando nosso Cristo quando ele nasce em formas diferentes dentre nós porém todas elas como prova de amor ao Pai que nos ensina e nos respeita. PADRE parabéns por sua caminhada inovadora e amorosa com sua comunidade, nós da paroquia estamos muito felizes com seu ministério.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No texto não nos referimos a ter sido uma partilha abençoada ou não. Falamos sobre a forma como ocorreu a Liturgia da Missa e como a Igreja manda que ocorra a mesma. No texto afirmamos: "Pelas imagens, não se sabe ao certo se a refeição aconteceu dentro da Missa, antes ou após ela, mas o que é possível dizer é que pratos, talheres e guardanapos são todos elementos estranhos à Liturgia da Missa e, portanto, não deveriam estar naquele local, em destaque". E também destacamos outros pontos contidos em instruções da Igreja, destacando o lugar onde podem ser encontrados.

      Ademais, falamos sobre a Vigília Pascal enfatizando o momento do final da Oração Eucarística três pessoas ergueram o cálice e outras três o Corpo de Cristo citando a Constituição Conciliar Sacrossanctum Concilium e a Instrução Geral do Missal Romano, que afirmam quem não é competência do fiel leigo tomar parte nesse ato, a não ser com a aclamção "amém".

      Como você enfatizou, prezada Jessyca, Jesus se revela e se revelou à Igreja, que produziu as instruções e o modo como devem acontecer as ações na Sagrada Liturgia. As mesmas devem ser seguidas.

      Excluir
  6. Sou totalmente a favor das inovações feitas pelo Padre EvandEv, naoenpor acaso que as suas celebrações são sempre lotadas. A igreja católica já passou da hora de aceitar e colocarem prática para tpdos os sacerdotes serem inovadores. Eu como catolica que sou me sinto muito mais motivada em uma celebração feita pelo Padre Evandro que qualquer outro padre arcaico, sem direcionamento. As pessoas que criticam são pessoas sem o que fazer, de mal com a vida que acham que as coisas nao precisam ser evoluídas, pessoas pequenas que gostam de dar licão de moral, mas não tem moral.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Como disse um Bispo em texto que já publicamos aqui no blog e citamos no texto, "Liturgia é fidelidade". Deve ser feito aquilo que Igreja orienta ser feito.

      A Igreja considera e muito a inovação feita por alguns sacerdotes. Tanto que temos padres como apresentadores de TV, músicos, youtubers, e há incentivo para tanto. Contudo, dentro da Liturgia há o modo como fazer (tal qual um roteiro seguido em um programa de TV, como exemplo meramente ilustrativo).

      E por fim, fazer crítica nada tem a ver com estar de mal ou não ter moral. Nem este texto é uma crítica, visto que é apenas 'comparação' entre o ocorrido e o que a Igreja diz para ser feito - nem a ideia exposta por você sobre o que uma crítica está correta.

      Excluir
  7. Será que o autor do texto conhece os contextos nos quais as citadas celebrações estão inseridas? Antes de criticar, deveria procurar entender o verdadeiro sentido das mesmas.
    Não é à toa que as celebrações da paróquia de Santa Luzia estão SEMPRE LOTADAS DE FIÉIS.
    Parabéns, padre Evandro!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O contexto litúrgico das celebrações do Tríduo Pascal é universal. Os texto compara o que manda a liturgia e o que ocorreu: ao contrapor os dois, o segundo é que foi descontextualizado.

      Excluir
  8. A igreja católica tem esse sério problema. Sempre que um padre ganha a afeição dos fiéis e moderniza a forma de ensinar a palavra de Deus, incomoda esses puritanos que ao invés de rezar estão aí gastando seu tempo criticando coisas simples assim. O Padre Evandro é iluminado e toca o coração da gente todo domingo. Não entendo tanto ódio dentro da própria religião. É por isso que a igreja católica está acabando....triste!
    Espero que ele não desanime por isso. Se eu vou a missa todo domingo, é porque ele me dá ânimo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nem é um "sério problema" da Igreja nem esta "está acabando". Se o padre modernizou a forma de ensinar a palavra, parece não haver problema algum: é uma forma que ele buscou para evangelizar. Ocorre que dentro da Liturgia (seja da Missa, Liturgia das Horas) há o modo correto de como fazer, já ordenado pela Igreja.
      Não levantamos questão sobre a retidão do padre. Como você enfatizou, ele é "iluminado e toca o coração". O texto cita apenas o equívoco litúrgico ocorrido e as alterações promovidas, visto que, como disse São João Paulo II, "a liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios".
      Por fim, continue indo a Missa aos domingos (e sempre que puder, em mais outros dias) independente do celebrante: vamos por Cristo e Ele nos dá ânimo.

      Excluir
  9. E é a missa mais lotada de fiéis. Jesus Cristo teve tantos seguidores pq se aproximava do povo, não pq o repelia. O Igreja tbm tem q ser acessível e ir onde o povo está, onde o povo a alcance e a entenda. Nenhum padre tem mais fiéis q o Pe Evandro na região de Sete Lagoas. Mas até na religião a inveja castiga, isso já vem de outros tempos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não houve no texto nenhuma menção a quantidade de pessoas presentes na Missa. Reforçamos: o texto trata sobre algo que aconteceu dentro da Liturgia (que é ordenada pela Igreja) que não está prescrito em lugar algum. Nenhum sacerdote é dono da Liturgia: ele segue o que a Igreja manda.
      Para reflexão: você comentou que "nenhum padre tem mais féis...". Não é uma competição e nem o padre deve ter fiéis para si. Acreditamos que foi somente um mal emprego da palavra usada por você e tomamos o cuidado para interpretar da forma correta o trecho.

      Excluir